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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Um algodão sujo de felicidade!

Algodão chegou em casa pouco depois de desmamar. Cria de Luli e de Hulk, dois vira-latas do outro lado da cidade. Muito bonitinho, tinha o pelo ondulado e uma cor clara de caramelo. Parecia um algodão doce.
Teve dificuldade para ficar em casa, era muito hiperativo, poucos filhotes são calmos, mas o Algodãozinho era demais! Mordia muito, sempre tava a fuçar pela casa, brincava durante a noite toda e madrugada, pela manhã queria dormir...
Se sujava bastante! A cor de caramelo ficava escura! Parecia sempre sujo! Uma amiga o pegou no colo e perguntou porque aquele algodão estava tão sujo! Parecia uma nuvem carregada de chuva!
Quando começou a crescer, as coisas começaram a ser quebradas. Não aguentavam seu peso e força! As brincadeiras, às vezes, machucavam... Então, foi mandado para o vizinho. Cuidaram bem dele, e já tinha um novo lar. Ocasionalmente ia visitá-lo, e acariciá-lo um pouco.
Um dia adoeceu. E sem demora deixou esta vida. Nunca fez realmente mal a alguém. Era bem inquieto, e sujo - de felicidade.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A Farsa das Matizes

1º ATO

Coleiras entre todos. Cansados de um dia inteiro andando. Param e adentram a casa de um egoísta.
Extraplanar: Possível dar-nos um pouco de pão e água? Somos exploradores-escravos das terras dos Hilotas & Inocentes! Podeis ter tal bondade?
Egoísta: É claro. Sempre desejei uma chance de trocar palavras com vós! Estou a elaborar um livro, que pretendo dar grande vastidão de opiniões! Livres ou não... Posso dar-lhes o que comer e o que beber! Podeis ajudar-me?
Anglicano: Estamos à vossa ordem! Não tereis servos para nos ajudarem? Cá não necessitamos de ajuda, e somos indignos de tal!

2º ATO

No emaranhado dos lençóis e plumas do Egoísta. Saciados de prazer e provisões, segue uma trôpega prosa de desconfortos! Agora sobre as Polis Íticas do horizonte traiçoeiro!
Egoísta: Não é católico e budista o legado traiçoeiro do povo que lá do canto direito vem? Almirantes daquelas águas sempre me advertiram! Há muitos credores naquelas regiões, todos crentes de algo! [acende um cigarro]
Extraplanar: Não somente. Protestantes de toda sorte! Hindus inclusive. Há todo tipo de pensamento livre! Graças ao Sábio Netiqueyte, sou um escravo do ceticismo, um cavaleiro do ateísmo! De bom grado, não de nascimento, mas de bom gosto...
Anglicano: Não tive escolha. Nasci escravo. Chamam-me pelo estigma de minha mãe. Não era de Polis Ítica, vinha do mar. Longe.
Extraplanar: Cansei de sôfregos desterros. Não somos livres! Orgulho servil! [levanta-se nu, na cama]
Egoísta: Deito com bons servos. Agora devem partir. O pão acabará na próxima semana e pouco me restou da água. Sedentos, vós estiveis.
Extraplanar: Dá-me um ósculo, portanto! [agarra o braço direito do Egoísta]
Anglicano: Quero mais que lábios! [agarra o pescoço do Egoísta]

3º ATO

Vestidos, agora, após a despedida. Vagam novamente rumo ao Mangue das Toscas Vindouras. Lá, há um bom rei, Telimbo rege feliz, e felizes são os que lhe servem - resmungam entre si [improvisar texto!]

Anglicano: Sirvo, mas não há tanto gosto como o teu. És um luminar! Há muito gosto em mim ver-te servir! Tens orgulho de ser um explorador-escravo! Meu orgulho é andar ao vosso lado!
Extraplanar: Além de bebidas e cigarros, Netiqueyte é o único que me conforta! E ele existe, com todos os seus átomos e elétrons! Todavia, conforta-me saber que o amigo é orgulhoso... Se somos!
Anglicano: Olhais! Um grande portão! As torres da polis! Chegamos! Um guarda... Um guarda se aproxima, tem um soberano atrás dele... Grande Netiqueyte, nos dar sabedoria agora!
Extraplanar: Bons dias e noites para vós, guardião da cidadela! Viemos de longe para provar nossa serventia ao teu mestre, e nosso futuro senhor... Não te preocupais, somos todos descrentes de divindades! Cuspimos em imagens e símbolos estranhos... Louvamos Netiqueyte! Temos marcas e diplomas! [põe-se de joelhos e sorrir empolgado]
Guardião da Polis: Então, até então. Por muitos, parecem certos. Mas lamento, terão que voltar. Há apenas algo que recentemente mudou, lamento por vós. Não havia como informar.
Extraplanar: O que poderia ter ocorrido? Somos irmãos em descrença! Temos diplomas! Marcas da servidão! Concursados, com toda certeza!
Anglicano: Nossos ancestrais, todos, renegamos. Idiotas animistas e cheios de fetiches. Dizeis, grande irmãos de espécie, o que de novo aconteceu, que não nos deixa adentrar tua polis?
Rei Telimbo: Agora tenho um deus. E todos que aqui vivem devem segui-lo. Arutaretil! Soberano dos livros de pele e das cavernas pintadas! Se não podeis servi-lo, daqui partam para todo o sempre! Há sempre um livro no fundo daquele poço sem lado, de almas e lodos.

 

O caminho do gigante

Na estrada para Moju há muita água. Há um torto caminho de pedras e galhos. Enraizado, um gigante ali dorme. Ele espreita a mata, observando em silêncio tanta gente, tanto tempo. Seu pescoço, fibroso e viscoso, se alonga por metros e metros; seus olhos cobrem um terço do rosto, azulados; sua boca, parece sempre aberta, uma saliva fétida e pegajosa deve estar sempre pingando; sua pele é de um tom amarelo bem claro... Há pouco pelo, e nenhum só e emitido; ocasionalmente um miado.
Ninguém conta essa história lá. Quem viu, sem querer, foi o menininho que veio da cidade, e brincado no quintal de casa, perscrutando a escuridão, viu o gigante, por entre duas enormes árvores. Ele jamais esqueceu. Hoje, já adulto, sempre a lembrar dos olhos, quando o desespero, do que for, toma-lhe os ossos.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Entalando-se?


A pequena tateava: 
As pequenas mãos dando tapinhas,
Na grama fria e molhada,
Cheiros e cheiros: lama, mato, baba...
O sapo dormia ali.
Há mais tempo que a pequena.
Tocou-lhe uma pata; ele abriu os olhos:
Um olho sobre o outro - espelhos.
Tempos que se engolem,
Bocejo e tato - ela aproximou a língua:
Lentamente sentiu o gosto daquilo,
Repetidas vezes,
Nunca haveria de esquecer a sensação,
Ele, imóvel, apenas assim permanecia...
Por fim, a pequena caiu, debatia-se.
O sapo voltou a cerrar os olhos.

Cachorros e cigarros

Fumava porque gostava e precisava. Fumava bastante mesmo. Sabia diferenciar gostos e potências. Bem, também, sabia quanto tempo levaria para um cão médio, pequeno ou grande morrer sangrando pela genitália. Sabia calcular o tempo que poderia matar um filhote, sem tirar o cigarro da boca.
Naquele beco, com boa iluminação mais muito lixo, o vira-lata se refugiou, ele já tinha matado o resto da matilha com uma pá. Agora faltava, aquele que ele com clareza, julgou ser o mais novo. Já havia fumado uma carteira e meia naquele dia, agora faltava mais um para que contagem da semana fosse adiantada. Um cheiro condenou o animal, que não tinha forças para atacar... A pá acertou-lhe o focinho.

Kurtis Golder
Natureza/Comportamento: Monstro/Solitário;
Nacionalidade/Idade: Canadense de 39 anos;
Atributos: Força 3, Destreza 2, Vigor 2; Carisma 1, Manipulação 2, Aparência 3; Percepção 3, Inteligência 3, Raciocínio 3;
Habilidades: Prontidão 3, Intimidação 3, Condução 2, Etiqueta 1, Armas de Fogo 3, Armas Brancas 3, Sobrevivência 3, Computador 3, Investigação 2, Ocultismo 1;
Antecedentes: Recursos 3;
Virtudes: Consciência 1, Autocontrole 3, Coragem 4;
Humanidade: 4;
Força de Vontade: 5;

Barulho do ar-condicionado

Há uma condição para tudo. É impossível seguir uma lógica diferente. Quem não reina em um mundo assim? Aquele som, do que sugere o título, um perfeito exemplo para tal: sem aquelas sutilezas bruscas, de atravanco da dureza rítmica!
Perfeito ao seu modo. Não são gritos de desesperos infantis! De blasfemadores em praças e lavanderias! Nem de roncos ou bocejos! Em igrejas e universidades!
Música? Não. Uma sonoridade suave que lhe conduz ao descanso. Sem se importar com o agradar - puramente moderna e necessária. Aquela utilidade que nos traz deleite. Alguém, não os leitores, achará uma metáfora. Pra quê aprendeu a ler?

 

Ontológico e epistêmico

Utopicamente indignado,
Seguiu, o neutro florete!
De encontro ao ventre impregnado! 
Soltou-se vísceras e gemidos...
Agonia e urro!

Resmungou uma pequena oração;
Criticamente medíocre e patética!
Ofendeu os leitores e a plateia,
Desperdício imperdoável de labores!

Repensou,
Escreveu novamente,
Ousou digitar,
O lápis ficou numa hesitação, meiga...

 

A forca da ribeira

Andando. Certezas em caminhos interpostos. Incívico e atado, redondezas de ciladas divididas. Se sério poderia ter fé, risonho diferente não havia de ser.
Esforçou-se, versículos e rouquidão. Agressivos, pasmos, reflexivos - atentos mancebos insistentes; uma, apenas, rapariga insensata.
Na correnteza, dispersa e caótica, crispavam, céleres e divinos, salmões do Tejo. Insensatez daquele que se apunhala com a pena. A coruja e o sátiro, de longe, entre as brumas; a brisa.
Murmuram, bocejaram - agora, olham. Um sono distante e tolo. Oniricamente insolente, reverbera exatidão tosca: argumentos tantálicos sobre a salvação de um perdido. Cá, nós, sem entender muito.

 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Ao Inimigo

Olha: Te entreguei meu coração, ontem. Ele é sujo e feio, há muito tempo. Mas também, agora, é teu... Olha o que fazes com ele... Viu?
 
 

Botões do celular


Um risonho desdém parece tomar-me dessas telas sem botões. O botão foi desdenhado, ignorado, completamente posto à decadência. Há quem resista, por falta de postura e dinheiro? Inutilmente, continuo a guardar os meus botões - e para tudo serve meu celular.

Ar de Sonhos

Francamente a inevitabilidade sussurra sobre ele...
Ela desenha um padrão incoerente aos olhos céticos!
Tantos neurônios inúteis! Sim! Inutilidade!
Crises no ego simplório - dele e deles...
 
Uma vertigem complacente lembra-lhe os pais...
Desdém da mãe - rancor dos irmãos - cólera do pai!
Ele sempre certo e coerente! Em tudo!
Resoluto?! Não... Funcionário público.

Risonha inocência pérfida?
Ultima divina prontificação?
Gélido sentimento de paixão:
Mais e mais... Sem ter nada.
 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Planilha de "Muitas-Garras"



Raça: Súquide;
Riacho: Mokolé-Mbembe;
Augúrio: Sol Encoberto - "Oculto";
Ninhada: Batráquios e Osgas;
Varna: Halpatee;
Conceito: Leitor de Enigmas;
Atributos: Força 3 (7/5), Destreza 3 (2/2), Vigor 3 (7/6); Carisma 3, Manipulação 3 (0/1), Aparência 2 (0/-); Percepção 3, Inteligência 4 (Criatividade), Raciocínio 3;
Habilidades: Prontidão 3, Esportes 1, Briga 3, Esquiva 1, Empatia 3, Interpretação 3, Intimidação 2, Instinto Primitivo 3, Manha 1, Lábia 2, Empatia c/Animais 2, Protocolo 2, Liderança 2, Armas Brancas 2, Atuação 3, Furtividade 2, Sobrevivência 2, Computador 1, Enigmas 3, Investigação 3, Linguística 1, Ocultismo 4, Rituais 3, Ciência 1;
Antecedentes: Aliados 5, Contatos 3, Fetiche 3, Lamaçal 3, Mnese 4, Parentes 1, Ritos 3, Totem 5;
Dons: Sentir a Decompositora, Comunicação com Espíritos, Invocar Chuva (Nível Um), Sonhar com a Mente de Matre, Enviar o Sonhos (Nível Dois), Asas de Sombra (Nível Três);
Ritos: Rito de Dedicação a um Talismã, Muda (Nível Um), Última Comunhão (Nível Dois), Rito da Pedra (Nível Três);
Renome: Glória 3, Honra 3, Sabedoria 6 (Posto 3: Irmão);
Fúria: 5;
Gnose: 6;
Força de Vontade: 7;
Características da Forma Árquide:  Caminhar Ereto, Garras Terríveis, Mãos Ávidas, Membros Extras (x2, braços);
Qualidades & Defeitos:  Forma Humana, Companheiro Sobrenatural, Percorrer um Atalho;

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Queria te dar uns versos

Queria te dar um poema,
Mas que não fosse um poema exagerado,
Que não fosse atrapalhado,
Nem se que se perdesse em rimas ou rebeldias

O poema que queria te dar
Tinha que ter teu nome no título,
Tuas vogais e consoantes em cada verso,
Fosse deslumbrante como tua essência...

Mas minha caligrafia sofre,
Minha paciência já agoniza,
Meu lirismo e criatividade... Cambaleiam!

Escrever esses comichões e 'frios-na-barriga':
Que dó! Irritante até... E dá pra pensar:
Queria escrever o nome da aflição que sinto; que cresce quando não vou te ver.


 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Suspiros e contemplação

Desenhar sentimentos em versos? Lembrei dela. E as palavras desapareceram. Não sei, tiveram vontade de ter lirismo: palavras que se grudam. O repente... E o silêncio se entrega a vários suspiros... Agonia ou aflição? Devem ser apenas passagens.

 

sábado, 5 de outubro de 2013

Gesetze und Kriege


Cósmico ente de éter!
Um por um, cada dínamo entre os dedos,
Compõe com sabor a carta que não será sua.
Olha, cada foto da ingenuidade:
Cogita um semblante de meiga resposta...

Inibe as sobras da dor,
Que lhe inundam o brasão.
Ergue-se, ainda que torpe,
Remédios para todo estupor espetacular!
Atrito - papel e braços - essência?

Enunciados pregados em cada parte do crânio,
Perfeitamente elaborado, por deuses
Deformados,
Belas criações guardadas
- Um caixão com aroma de tulipas...

Já não enxerga, pesam: asas de chumbo!
Saliva endurecida - mármore fragmentado!
O ventre, inchado, abre-se lentamente:

Trazendo à luz de uma reflexão não usual,
Aquilo que um dia chamarão:
ÁTOMO SINISTRO DA INIQUIDADE ANCESTRAL!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Diabo

Nascer, eis um ato indelével da natureza. Assim pensara, agora. Multiplicidade de mediocridades entre os que compartilham sangue, compartilham uma casa, compartilham uma mesa... Sorrisos.
A mãe, quase que completamente alheia ao que quer que pensassem, era singela e carinhosa com a criança. Crescera nos braços da mãe, que lhe banhava, que lhe vestia, até tentara ensinar-lhe palavras. A família não era pobre. A mãe rica de sentimentos. Nem sempre quis a maternidade, agora era contente com seu martírio.
Pai? Não desejou o filho. Tinha aquela criança em sua casa, apenas. Aberração doente. Somente dava trabalho. Dinheiro para gastar, mulher que não lhe dava mais atenção, tosses e gemidos à noite. Nada que vinha daquela coisa, lhe dava alento. Nada.
Um dia o pequeno, que carregava como filho, adoeceu, antes de completar dez, veio a deixar este mundo. Ele sentiu uma tristeza de protocolo, nenhuma faísca comparada à dor da mãe. As lágrimas foram secas e gélidas.
A noite, ao terminar de jantar, olhava o prato da esposa, ainda cheio, e sentia-se aliviado. Havia alguma culpa ali. Havia contas a pagar. O desgraçado deixou trabalho até depois de ter morrido.

Deus


Retumbante essência eterna!
Cosmo infinito inatingível!

Galguei sincero obséquio,
Domei injúrias latentes,
Alcancei serenidade obliterada...

Sol, Terra, Mar... Escutai!
Sonhei com o instante que se expõe!

O penhor de tal audiência,
Me custará a dúvida de eras,
Ainda, fatídico desígnio,
Clamo por entre estrelas e lua!

Deixai que uma questão brote,
Diante de ti,
Uma resposta,
 Para tirar-me o alento decisivo...

Onde guarda-se a saudade de outrora?
Ínfimo ranger de dentes juvenil?
Destoados, em corpos e senhos?

Hecatombe.
Esquece-me.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

A ponta do cigarro!

 O outro pediu um trago. Não mais que isso. Irritação reverberada! Nojo? Insatisfação? Raiva gratuita - incêndio necessário. Aguardou, amargamente, o outro saborear um trago com gosto. Exigiu sua posse de volta, antes que se perdesse. O outro não notara a raiva abrupta e feroz. Aquietou-se e voltou a pragueja e criar sua própria forma heroica, aquele que um dia salvará o mundo. Acendeu outro cigarro.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Pra ti



E escrevi, enfim para ela.
Constrangimentos que mergulham em nosso ego!
Parece-me, vejo um mancebo - que perdi!
Enfim, sim! Tinha que deixar...

Há algo de nocivo nisso:
Não se esquece as linhas de vergonha do passado,
Não se ignora os ressentimentos contidos,
Tudo há de ser nulo, um dia?

Pôr para alguém, uns versos... Sacrifício de si?
Perdi rimas uma vez: entreguei-as a uma moça...
Rir de mim! Quão ridículo outrora!
Agora, para ti, mais uma vez... O que há de diferente?

Blasfêmia impura? Antes vasto espaço de Amor!
Sentimento que mancha o que se escreve!
Êxtases individuais, lágrimas e sorrisos... Me arrependo?
Continuo - para ti! É... Lê, enfim... Lê!

Entoei sonhos e idealizei momentos:
Teu olhar forte, tua expressão resoluta,
Há algo de viril ali? Uma coragem, quem sabe?
Uma expressão contente que se esforça...

Raro agir resoluto - teu sorriso, um levantar de incertezas!
Teu pequeno corpo, tão perto, tão junto;
Eu, perdido, tentando ter coragem, esquecendo até demais...
Perdendo-se entre os pés e as batidas, sons e incertezas...

Ousadia, algumas poucas vezes... Conduzir-te! Torpe esforço.
Ingratas certezas de afinidade: um amigo?
Há quem se contente com tal desvelo?
Há quem não tenha a minha incerteza...

Dedicação momentânea, superando as doses de bebida...
Ímpeto vasto! Derrubando os tragos do cigarro!
Convicção para derrubar o gosto do som!
Organizando palavras para a despedida...

Eis que o eflúvio entorpecente do caos que nos cerca:
Perco-te das minhas mãos,
Mantenho meu olhar,
Resisto, não! Vais...

Entrega-me, o que acreditei ser, uma esperança,
E sigo no veículo que se afasta...
Te procuro: no que sobrou das minhas alucinações!
Te vejo: no deitar de todo cansaço...

E resoluto! Mais uma vez, ousando - até parar.
Busco saber... Quando? Te ver... Quando?
Mais uma vez... Outras incertezas!
Tamanhas esperanças...

Uma frustração iminente! A certeza do teu entrelace...
Patético? Gargalho... Por quê?
Medíocre nefasto reflexo...
Aqui. Diante do orgulho hipócrita...

Mas diante da confusão de espectros de fé,
Egoísmo. Resmunga entre meu estômago e fígado...
Distorce as letras tortas, e as palavras de versos torpes...
Punhos à parede! Músculos apertadas... Mão cerrada...

Eis que surpreso ponho-me: espera. Sim!
Asco de tais versos?
Talvez não...
Irritação, esmiuçados grisalhos, nós de desesperança...

Pois posso aguardar...
Seguir - esperar o ego enfraquecer,
A certeza de te fazer bem...
O certo olhar: teu para mim.

Hei de fazer te... Entrelace...
Quero tal utopia?
Rivaliza-me instituída decepção certa!
Mas, com convicção e flor em punho, diante de ti: ouvir-te...


Pintando o Teto do Inferno


Mas há turba?
Clamores volúveis daquele?
Conhecimento espalhada, caos de um fumo?
Violões inaudíveis! Razões esporádicas entre o zunido do início...
Quem? Um clarão constituído de razão digna?
Grunhindo dentro de si - um ego? Uma porção de ectoplasma pustulento!

Encontrou uma entidade alada - dentro do veículo!
Sorriu, temeu e chorou... Por fim sentou-se de novo.
Muitos olhares o testavam. Resoluto e sonolento; os ignorava.
Temor repentino - o que lhe apalpava as hostes interiores.
Eis uma falange imprestável: prazeres na lembrança:
Mensagens a antigas amantes - protetoras de sôfregos como ele!

Famigerada certeza, de não saber onde está o livro!
Batidas anacrônicas e catalisadoras de uma mediocridade; fim?
Destoa entre tantos funestas identidades pequenas e cósmicas.
Sabotada magnificência de uma janela esnobe. Eles gargalham...
Holograma de ilusões sinceras - o patético e a vida!

Credor de um pai - sapiência de duas mães. Dar-te prazer?
Mãos de lasciva sobre si. Em alemão ele geme?
Calo insistente da ponta, de um pequeno dedo inútil!
Nós de etnias - espécies de certeza indubitáveis, e eis o inútil... 
O crer da miséria necessária, na essência eclesiástica do ignóbil.

Ela escreve para todos os dias. Uma segunda ignora. Uma sexta responde.
Velho - certezas insignificantes de tanto tempo?
Criança - Salta e sorri... Imortal!
Eles - Vasculham, ofendem, desdenham, amam-se...
Aos olhos dos que se levantam de um fosso gelado,
Aqueles que já estiveram nas estrelas e nas nuvens!

Entorpece-se com fé! Rogou ao Infinito!
Deusa da Simplória Ferramenta do Orgulho!
Beijou-nos entre os olhos! Moldou nossa língua!
E escapou para a cratera de nossa bondade inóspita?!
Escondeu-se dos olhos dos deuses invejosos?!
Resmungos incoerentes enfrentam balbucios durante a aurora...

A poética abortada?
Versos chacinados?
Um ímpar fim agourento?
Uma ruptura invisível do fala do sensível - estupor!
Elas se amontoam, palavras, sem sentido algum? Indefinidas!
Certas de que não morrerão - e se despedem em silêncio de um ato para outro.

Sopro de Ígneas Incertezas!


Miguel, o campeão.
Crido e crido. Não há de se negar.

Soprava forte:
Na vastidão da essência da Justiça.
Eleitos senhores da glória celestial.
A menina virava as páginas da bíblia-gibi.

Ícaro entre as nuvens da ribeira,
Thor cintilante - nas alturas da convicção!

A mãe ouvia:

Estandarte infernal!
Devotos do Abismo!
Levantem-se! Ergam-se mais uma vez!
Do outro lado, falanges impuras, reflexos pútridos Dele!

Eles respondiam:

Nós temos o direito sobre o mundo!
Ele está errado! Nós encaramos a destruição do que fizemos...
Contemplamos a ruína deles... Da escolha Dele...


Vaso japonês

Ele comprara o vaso para ela. Ele se fora há algum tempo. Ela esquecera de si. A criança perambulava pela rica residência sem qualquer proteção ou carinho. Passava horas conversando com o vaso. Afirmava, com felicidade, ver o pai do outro lado, no reflexo distorcido da porcelana. A mãe que nem a si mais via, não dava por concreto nada do que lhe diziam. Gromorgholya tivera muitos seguidores antes do período Meiji. Sua seita foi desmantela e aniquilada por cristãos estrangeiros, que no processo roubaram seu simulacro. Agora tudo poderia recomeçar. A certeza se fazia verdade toda vez que ele via o brilho dos olhos da criança; toda vez que colocava algo na comida da mãe.

Desprendido e calculando


 

Quadros e muita tinta; espalhados pelo chão. A corda que Guilherme Juamier havia feito de forca rompera-se. Haphurmydurk levantava com dificuldade cada pálpebra... Ele procurava por uma fotografia. Notou que algo escapara: não mais que sonhos de prosperidade na arte e na vida, mas um cão, pequeno que urrava de tristeza. Então voltara e lambera o rosto do dono, que lhe olhava com olhos vindos do início da criação. Haphurmydurk acariciava o cão e fazia planos...

Entorta-se por dentro e por fora

Ri. Ashmudah. Bate as asas com força. O sofrimento do rapaz era agradável; humanamente desesperado! O que ele era agora? Para as leis mortais que existiam em sua cabeça, ele não podia ser punido. Não podia ser punido por violar a pureza virginal de sua irmã menor; quem acreditaria na pequena com medo e acuada? Mas Ashmudah poderia puni-lo, e quando ele acordou do sonho, cheio de lasciva, que tinha a mão de um anjo acariciando seu pênis: NÃO HAVIA MAIS NADA LÁ! Apenas pele sobre pele! Não houve dor?! Ele urrava de medo, pavor, desespero!!! Ashmudah, no outro arranha-céu, ria.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Velas e Veludos



Era pra ser um imponente estupor,
Diante dos temores do tempo!
E o pudor dos ignorantes, óbvios - intercalados:
Por estonteantes marginais incríveis...

Estrelas e baluartes do Abismo!
O veludo enigmático e umbral,
Rasteira influência da indulgência celestial.

Sinistro - Eis o semblante do Ídolo alegórico:
Resignado ao posto Supremo! Tétrico e desvanecido.
Luares, solares, terrenos... Divindades inferiores...
A poética destilada entre as velas, incensos e suspiros...

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Balbucios Doces de Infernais Fascinantes



Rouco som maravilhoso!
Vibra entre os vidros, ferros e concretos!
Ateia e tece o drama, amor e rancor dos incautos...

Eles trilham passos por entre a natividade sombria,
Os instrumentos! Lânguidos e cintilantes sons inesperados,
Sorrisos, silêncios - atenção: sussurros invisíveis...

Nem musas, ou heróis - poucos orgulhos, diversas sagas...
Eles seguem em utopias e pesadelos! Alguns pés fixos ao asfalto,
Olhos e ouvidos centrados, apenas sentimentos vãos dispersos!

Agradecimentos humildes ao teto, e para além dele!
Um riso frouxo e suspiros de outrora - vindouros?
Anima-se, ergue-se, compartilhas deidades...

Intolerância?


Uma pasta de carne amontoava-se e grudava na ponta da pá! Anelson só queria que a irmã Ilane fosse ao trabalho... Precisava consertar o piano!
Ela se estragara ao pregar e gozar em uma religião alternativa: Salvadores de Todos A Serviço do Nada! Ele não tivera intenção de matá-la - dezessete golpes com uma pá no rosto; fora o suficiente... Agora ele lamentava, se desesperava, chorava, torcia pra mãe não chegar!
Mas a mãe chegou.
Dona Joseia depois de tanto sacudir, e chamar, não teve jeito, jogou água para acordar o mancebo exagerado!

Mapinguari nem tão pálido



Duas ratazanas discutem sobre a validade de Osíris!
Nenhuma consegue ler o A Arte da Guerra,
Uma terceira afirma ter decifrado códigos inúteis...
De certo... Para as três!
Um Set em pedaços,
Mas com dinheiro!

A via-láctea triunfa entre todas as outras?
Um adulto seguro! Certo de suas certezas!
Um velho rasga e joga fora: o lado imprestável,
Imprestável da criança...
Nada de inocência...
Latente criatividade;
Tolice exacerbada!
Orgulho em demasia!

Aquilo cai tão longe:
Mistura excêntrica!
Cresce demais,
Fala pouco: sujeiras!
Surge!

O Mapinguari vaga entre o asfalto.
Ergue em seu peito o diploma.
Há de crescer o currículo como o orgulho!
Assusta, sempre, levanta a face - coitado...
Antes fosse!

Enorme ego descontrolado!
Braços caídos...
Desengonçado andar...
Caminhando entre diferentes!
Olhar de desdém para o par.
Instintivamente tolido - o capital o chicoteia.

Um veículo,
Uma casa,
Muito beber,
Muito fornicar?

Ele reverbera polidez necessária,
Mas sua alma suspira superficialidade!
Languidez pueril! Uma academia esquecida...
Simplórias ambições - como ser oposto?

Entre todas as tolices:
- Faz-se necessária tua amizade!
Recuso de formas discretas!
- Tenho o que precisas! E tens o que quero!
Continua a recusar... Mas a paciência se esvai...
- Sou sozinho...

O sorriso é contido, o suspiro é exasperado,
E ergo a mão e levanto os pés...
Para acompanhá-lo.
Eu tonto. Ele ridículo.

Um Mapinguari nem tão pálido,
Carente de mãos...
Com um ventre sem boca!
Resíduo ar de perplexidade resoluta e indiferente:
Violentamente medíocres ambições!

Contatos