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quinta-feira, 3 de março de 2011

Deixando pó pra trás!


O punk havia se escorado no balcão, depois de rabiscar alguns versos de manhã, maltratar seu skate a tarde e cheirar muito pó meia hora atrás - agora queria beber! Acendeu o cigarro e pediu uma garrafa de vodca; beberia bastante usaria metade do dinheiro da venda do cubo como havia programado: vodca, cigarros e talvez uma putinha...
O gosto de cigarro era agradável quando misturado com vodca... O desconhecido corpulento o observava de longe, encostado no mesmo balcão - também bebia vodca e fumava um cigarro mais caro. 
O punk foi ao banheiro cheirar mais um pouco - ele se posicionou no apertado banheiro sujo e fedido de uma forma a urinar e cheirar ao mesmo - já deveria estar alto... Então seu raciocínio agiu, como que por sorte, ou mero instinto de um animal sem banho: o pó! Puta merda! O desconhecido estava lá pelo pó! Só podia... Será?
A saída era perto do banheiro.
Havia um gosto agradável de cigarro na boca, mas o temor começara a lhe tirar gosto de qualquer coisa. O pó cheirado foi o suficiente para deixá-lo mais agitado que o normal! Ele saiu. O desconhecido o acompanhou. Na primeira esquina correu.
Corria! Corria muito! Qualquer beco servia! Qualquer escadaria! Tudo que não fosse de habitual percorrer com pressa!
Ele mordia os lábios com força e o gosto de suor começara a entrar na boca: e aquele sabor salgado juntava-se à nicotina e à vodca...
Os olhos procuravam qualquer espaço para se defender! Qualquer mínima cobertura! Os tiros logo viriam! E não seriam poucos!
Os tiros começaram! Seu ânus se apertou como nunca! Ele vê um belo carro na próxima esquina e se jogou para trás dele! Muitos tiros se seguiram - puta que pariu! Sentia vontade rir, mas o medo apertava-lhe a garganta! Pegou o velho 38 que estava apertado entre a calça e a genitália e atirou! Simplesmente apertava o gatilho fechando os olhos com força e apertando os beiços com os dentes!
A bala atravessara a porta do Mercury sem menor a dificuldade e acertara-lhe uma das orelhas de raspão! Os dois piercings caíram - uma estrela de cinco pontas e um seio mordido! Não havia muito sangue, mas um cheiro de carne queimada tomava o ar! Ele gritara bem forte - boa parte era encenação para enganar o agressor! Mas sabia que não podia vacilar, aproveitou a dor para recarregar o tambor do 38... Ele suava bastante e mordia os lábios (o efeito da cocaína ainda estava a todo vapor... e agora começava a sentir gosto de sangue)! Encostou o revólver na testa e olhou pelas pequenas frestas feitas pelas balas que atravessaram o carro que lhe servia de cobertura: o agressor deveria estar muito bem escondido, maldito seja, mas logo apareceria para tentar terminar o que pensou que havia começado! Ele estava com medo, mas ainda assim excitado - os cartazes de strippers tailandesas preenchiam o muro próximo; o chão molhado começava a ser sugado pelo jeans que servia como uma esponja e o frio lhe dava vontade urinar - logo faria nas calças! A agonia o excitava! Era uma sensação única - boa! Mas que não iria querer sentir de novo! Meu Deus! Provavelmente morreria! E então decidiu agir rápido.
Correu em casa! Não estava longe!
Tirou a roupa! Masturbou-se por horas...
Rabiscou versos infelizes...
Certo que morreria, pegou o velho skate e praticou a tarde toda!
Cheirou todo pó que podia! Tudo que havia comprado! Tudo não! Deixou um pouco para mais tarde! Talvez precisasse.
Pegou o dinheiro do cubo que vendera um dia anterior... Fora beber - quem sabe transar?
Chegou no bar. Encostou-se no balcão.
Então encontrara o desconhecido: puta merda!

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